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“Sou bem mais homem do que um tamanho do pênis deveria sugerir”

12 set 2013     1 Comentário    Publicado em: Contos & Relatos, Para Ela, Para Ele
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No relato a seguir, um leitor relata sua experiência em um relacionamento com uma mulher onde comparações, contradições e frustrações vieram à tona. Enfim, tamanho é documento? O que realmente importa num relacionamento? E quando é o momento de sair de uma relação onde a química estão em segundo plano? Uma história que muitos homens já passaram ou podem passar um dia por ela. E para as mulheres esse relato pode servir como um grande aprendizagem. Vale conferir:

Bem. Estou rompendo um namoro de quase um ano por conta disso. Ela fez um comentário logo no início do namoro, durante uma transa, onde ela me pediu “pra ir mais rápido porque devagar ela não sentia nada”. Nos primeiros dias que se seguiram a esse fatídico domingo, eu quis saber e ela disse que com o ex, gozava rápido porque tinha mais pressão enquanto comigo,pedia pra eu ir mais rápido porque devagar ela não conseguia nem me sentir. Isso foi bem no começo, e confesso que nesse começo, ela de fato vinha tão excitada e tão dilatada pra transa que eu também não a sentia. Mas o dia da comparação me devastou, nunca mais consegui confiar, e sinceramente, não quero fazer nenhuma mulher frustrada.

Depois desse fatídico domingo (onde rolou o estresse na cama por causa disso, e começamos a chamar o episódio de fatídico domingo), ela passou, insistentemente e sempre que brigávamos, a argumentar dizendo que tamanho nunca fez diferença pra ela, que no começo da relação, ela vinha tão excitada que ela sentia que era como se perdesse a sensibilidade, como se ela ficasse anestesiada, como se tivesse vários platôs, perto do orgasmo, que não se completavam, e que ela nunca, nem uma vez ela havia ficado tão excitada assim com o ex com quem ela me comparou, e que ela achava que por isso, por essa excitação absurda que ela sentia, que ela na verdade não conseguia me sentir, e que isso não tinha nada a ver com a questão do tamanho.

Ainda durante o namoro, uns dois meses depois desse fatídico domingo, ela veio com outra: disse que tinha que admitir que nunca tinha gozado com ninguém. Ficou mais estanho ainda, lógico, pois primeiro ela diz que gozava rápido, depois diz que nunca gozou. Daí ela disse que o ex (com quem ela foi casada durante 13 anos) tinha ejaculação precoce e que ela nunca tinha tido períodos tão longos assim de relação como tinha comigo, entre 20 minutos a perto de uma hora.

Esse argumento não convenceu, como de nada mais eu me convenci. Perdi totalmente a auto-confiança, enquanto isso ela ia ficando cada vez menos excitada, pelo menos no início da transa. O fato é que apesar de não ter dificuldade pra gozar como ela tinha comigo, eu admito que nas primeiras transas era pior mesmo, eu também não sentia ela direito, que coisa mais estranha. Depois eu fui sentindo mais, mas obviamente o nível de excitação, lubrificação e dilatação dela não era o mesmo, não era a mesma lubrificação e nem a mesma dilatação de antes e nas poucas vezes que durante a transa ela ficava assim, bem excitada e bem dilatada, eu voltava a ter dificuldades em sentí-la também.

Daí mais uns meses se passaram, e ela resolveu dizer que estava conseguindo alcançar o orgasmo. Eu já não acreditava em mais nada, e isso não aliviou a situação, na verdade acho que piorou, pois eu considero que um casal que queria se acertar tem que estar disposto a dizer a verdade, se existe amor, a verdade não dói tanto assim. Mas como ela insistia em provar que seus risos de nervoso durante as primeiras transas e tudo o mais que contei aqui era coisa da minha cabeça, e eu não aceitava seus argumentos, e passei a ter ciúmes patológico. Nunca passei por isso antes, estou com 41 anos, tive várias namoradas, algumas muito bonitas, outras nem tanto, mas ela é o tipo de mulher que chama a atenção, alta, quadris largos, enfim, com todo o respeito a quem diverge, mas é aquele tipo de mulher grande e exuberante que dá pra ver que precisa de algo mais mesmo.

Bem, orgasmo com menos lubrificação e dilatação que antes? Eu me informei muito a respeito nos últimos meses… Sei lá, imaginem o tamanho da minha obsessão em ler a respeito de tudo o que eu pudesse por minhas mãos pra tentar entender, já que dela era cada vez um argumento…somem isso ao meu ciúme patológico, que sinto muito, gostei muito dela pra fazê-la sofrer. Imagine ter que aceitar que apesar do grande amor que eu sinto, e que ela aparentemente sente, já que tentou tanto se justificar pra continuarmos juntos, enfim, apesar disso, do sentimento que obviamente existe, eu ter de aceitar que não lhe dou assim tanto tesão. Que a maldição consiste em, se ela ficar excitada, molhada, dilatada como merece, não vai ter algo digno de preencher, por mais que quem está atrás do pau tenha disposição e saúde pra um bom sexo. Me sinto muito mal por quem é menos avantajado ainda do que eu, mas infelizmente, a verdade é que se até alguém com um pau de 15,5 por 14,5 ereto passa por isso, os caras abaixo da média nacional, que é 14×13, tem mais companhia do que imaginam.

Aqui, nesse meu relato, apesar de durante muito tempo eu ter sentido raiva, não tem guerra dos sexos não. Sou bem mais homem do que um tamanho de pau deveria sugerir. Sou homem de assumir que não deu pra mim. Minha auto-confiança não se restaurou em quase um ano de relacionamento, e eu não sou homem de vê-la ficar a sofrer, na cama ou fora dela. Também não mais vou comprometer minha sanidade, meu tempo de trabalho, meu tempo com minhas filhas, meu esporte e tudo o mais que eu preciso me cercar pra me ajudar a segurar a onda agora. Ninguém vem ao mundo pra sofrer, nem pra fazer sofrer a quem não merece. Não é culpa de ninguém. Ela é ótima, ela é linda e merece ser feliz. E eu também.

Eu saio dessa história, no final das contas, sem saber no que acreditar. Só acredito, no meu coração, que estou fazendo a coisa certa, entre nós dois. Não sei se deveria relatar isso aqui, me preocupo muito com os caras devastados por esse tipo de problema, e também com as mulheres, incapazes de admitir a seus parceiros, por amor, que o sexo não é tão bom assim. Mas sou partidário da coragem, sempre fui, e da verdade. E da felicidade, principalmente a dois.

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  • Fico pensando no quanto de verdade tem atribuir, num relacionamento, a responsabilidade ao outro pelo próprio prazer, esse prazer problematizado que existe e que sempre existiu. Talvez o mundo esteja num momento em que na busca de uma solução, problematizar faça parte da evolução do entendimento das questões do prazer.

    Transferir pro outro ou pra outra da relação nem que seja uma parte da responsabilidade pelo prazer alivia, um pouco, a carga de se saber incapaz de lidar sozinho com a situação. Sim, por que pra lidar a dois com isso, acho que pelo menos um mínimo a pessoa que se vê com o problema de prazer já tem que ter lidado sozinha, ou quem vai sofrer mais é o outro, porque diante do absoluto desconhecimento ou inadmissão do próprio problema com o próprio prazer, pode acontecer de se transferir pro outro, ainda que de forma impensada, toda a responsabilidade pelo próprio prazer, que deveria ser uma responsabilidade bem pessoal, e também deveria ser levada em conta no início de qualquer relacionamento.

    Questões como as encucações com o pau (e os reflexos disso no prazer da parceira), as ejaculações precoces, as disfunções eréteis de um lado, e de outro as encucações femininas (ou do parceiro) com as dificuldades de orgasmo, ou de um orgasmo mais intenso, ou vaginismo, ou a falta de lubrificação (e pra algumas, por incrível que pareça, até excesso de lubrificação) e todos os outros “problemas” que as pessoas apresentam envolvendo o seu prazer e o prazer também do outro, são a tradução mais literal da dificuldade do ser humano com o próprio prazer. Não quero dizer como cada um pensa o próprio prazer e o da parceira ou parceiro, mas minhas encucações me fizeram sentir humano numa crueza que eu nunca tinha sentido antes.

    As preferências das pessoas em termos do que lhes dá prazer é algo que existe, não dá pra negar, nos sentimos atraídos pelos mais diversos atributos nas pessoas, sejam eles físicos ou não. Mas a forma preferida de uma mulher no íntimo de um cara, ou a forma preferida de um homem no íntimo de uma mulher, e o mesmo nos homoafetivos, bem, eu quero acreditar que quando se ama alguém esse negócio de peitão, bundão, pauzão, bocona, cultura ou conta bancária ou o que for vai meio por terra. Talvez a preferência deva ser considerada no início, se alguém acha que isso vai ser um problema mais lá na frente, então que escolha não escolher. Mas se essa fase passou, a relação começou, continuou, e se de repente a preferência do preferente impera, e com ela vem o arrependimento do preferente em ter mantido a relação, bem, será que esse arrependimento afinal teve mesmo a ver com a preferência ou quando o amor deixou de existir (se é que existiu) a preferência virou uma boa desculpa?

    Uma pessoa que já é encucada com alguma questão do próprio prazer (ou do prazer da outra pessoa) não precisa muito pra se sentir insultada com alguma comparação que remeta a sua encucação. Diante de uma comparação ou outro tipo de deslize que remeta a encucação, o encucado se sente diminuído, com o perdão do trocadilho. Se alguém já é encucado é porque já não anda lá com a auto estima muito da elevada. Ao encucado cabe tão somente resolver sua encucação. Uma encucação qualquer pode criar uma situação insustentável e ser o encucado (e não a questão sobre a qual se é encucado) quem vai soterrar as chances do relacionamento seguir de forma realmente prazerosa. Muitas vezes, o prazer vai acabando não porque a encucação realmente seja um problema, mas porque a forma de lidar com as questões do próprio prazer ou do prazer do outro é que foi ruim.

    Também a forma de admitir as próprias preferências do que seja o parceiro ideal pode conduzir ao insulto ao outro, quando o outro sabe que não tem a oferecer o atributo preferido de quem admite as preferências. Para criar uma bola de neve basta fazer uma comparação ou admitir participar do jogo de comparação, se ele for imposto pelo outro. Mesmo que isso não aconteça, uma pessoa encucada pode transferir a responsabilidade por sua encucação ao outro, e a mesma bola de neve se cria. Assumir a responsabilidade de resolver a situação deve ser algo pessoal, antes de ser algo para ser resolvido a dois.

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